Polícia investiga suposto golpe de venda de eletrônicos por rede social na Paraíba42999

Segundo denúncias, produtos foram encomendados e pagos, mas não foram entregues. Vendedora afirmou que perdeu o controle das finanças da empresa.

A Polícia Civil investiga um possível golpe, em que aparelhos eletrônicos eram vendidos por meio de um perfil em uma rede social na internet, abaixo do valor de mercado, em João Pessoa, conforme informado pela Delegacia de Defraudações da capital paraibana, nesta terça-feira (18).

Vítimas e suspeita prestaram esclarecimentos na Delegacia de Defraudações, nesta terça-feira (18) — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Segundo uma das pessoas que procuraram a polícia para realizar a denúncia, mais de 50 vítimas se organizaram em um grupo na internet, após não receberem os produtos que haviam comprado, depois do prazo dado ter se esgotado e a vendedora ter parado de responder a alguns clientes.

Após ser intimada, a responsável pelo perfil da loja na internet afirmou à polícia nesta terça-feira (18), que não tinha a intenção de prejudicar os clientes e que perdeu o controle financeiro da empresa.

A suspeita
De acordo com um dos clientes, que não quis ser identificado, a loja, que é administrada por meio de uma conta em uma rede social, começou a ganhar destaque em 2018, com a venda de aparelhos importados, como smartphones e caixas de som. “Muitas pessoas indicavam, foi muito 'boca a boca'”, disse.

No entanto, em janeiro deste ano, segundo o cliente, a vendedora começou a descumprir alguns prazos que haviam sido dados desde outubro de 2018. “E ela continuou vendendo esse ano, disse que teve um problema com um fornecedor, mas que tudo iria normalizar”, comentou.


Ele contou que conheceu o negócio por meio de um primo, que havia comprado um relógio e uma caixa de som da vendedora e recebido os eletrônicos em janeiro. As negociações ocorriam por meio das redes sociais e os pagamentos poderiam ser feitos por transferência bancária ou com o cartão de crédito.

“Eram vendas muito grandes, muito altas, então ela entregava recibo, ela tinha CNPJ, atendia na residência dela, pra você buscar o aparelho ou pagar ela. E assim foi”, pontuou.

O cliente relatou que pagou R$ 3,1 mil por um aparelho que, geralmente, tem preços que podem variar de R$ 4 mil até R$ 6 mil. Os pagamentos foram feitos por transferência bancária, antes da entrega do produto, porém, após o prazo de cerca de um mês, ele não recebeu o smartphone.

“Ela me deu um prazo para o dia 30 de maio. Não entregou. Tentei entrar em contato, ela não respondia. Depois de alguns dias ela respondia ‘vou ter que fazer o ressarcimento, porque tive um problema com o fornecedor’, mas ela não falava quando, nem como ia fazer esse ressarcimento”, explicou.

O comprador afirmou que, após isso, a responsável pelo perfil deu um outro prazo para entrega do produto, mas, de acordo com ele, mesmo com esses problemas, ela continuou realizando as vendas.

“Nesse período, entre o dia 30 de maio e o dia 15 de junho, foi que a bomba explodiu. Quando a gente começou a descobrir pessoas próximas que estavam com processos de R$ 20 mil, R$ 25 mil, R$ 30 mil com ela, desde novembro. Então criamos um grupo e a gente começou a ver que era um golpe”, ressaltou.

Ele contou que o caso foi levado à delegacia após os clientes tomarem conhecimento de quantas pessoas haviam sido afetadas e não conseguiram entrar em contato.


O cliente disse ainda que o marido da vendedora afirmou para o grupo que ela havia desenvolvido problemas emocionais e, por isso, não tinha condições de lidar com a situação, mas que ele estava fazendo o possível para resolver. Conforme o rapaz, algumas pessoas foram até a casa dela e conseguiram ser ressarcidas em parte.

Na delegacia
Segundo o cliente, o principal questionamento do grupo é em relação ao que havia ocorrido com a quantia paga por todos, já que o produto não foi entregue.

Na delegacia, um outro cliente contou à reportagem da TV Cabo Branco que comprou vários aparelhos para revenda e, depois de receber cinco, encomendou outros 45 que não foram entregues. Ele relatou que a vendedora devolveu uma parte do dinheiro, mas que ainda devia R$ 22 mil para ele.

Para o delegado Carlos Othon, as denúncias devem ser investigadas. Caso a apuração aponte que ela teve a intenção de prejudicar os clientes, a vendedora responderá por estelionato. Entretanto, se isso não for constatado, o inquérito poderá ser encerrado na esfera criminal e os clientes deverão buscar uma reparação na esfera cível. 

Fonte: Redação do portal Vale do Piancó Notícias com G1