Prefeito de Uiraúna guardou propina na cueca; veja imagens46938

De acordo com as investigações, propinas foram entregues e registradas pelo empresário George Ramalho.

O Portal MaisPB teve acesso à representação entregue pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a Operação Pés de Barro, deflagrada neste sábado (21).

Nela, o prefeito de Uiraúna, João Bosco (PSDB), foi preso e o deputado federal Wilson Santiago (PTB) afastado. A PF chegou a pedir a prisão do parlamentar, mas o STF negou.

De acordo com as investigações, propinas foram entregues e registradas pelo empresário George Ramalho.

No dia 13 de setembro, houve a entrega de R$ 50 mil a Evani Ramalho. O recurso seria entregue ao prefeito João Bosco. Esse repasse aconteceu em um edifício de João Pessoa e foi registrado por áudio, como é possível observar na conversa a seguir:

George: Agora o seguinte, está o uma confusão da p*&* lá, só conseguir sacar 50.

Evani: Veja se consegue o restante amanhã.

George: Certo, eu vou tentar. Aó para não perder isso aqui, eu trouxe.

Evani, então, cobrou mais agilidade e rapidez nos encontros para as entregas das propinas.

Evani: Deixa eu lhe dizer qual o segredo dessa situação, é curto o prazo. Entendeu? A gente tem que aprender a ser curto prazo. Entendeu?

George: Estão reclamando muito?

Evani: O problema não é nos encontrarmos, e se falar, e demorar, essas coisas. Tem que ser curto prazo. Entedeu? Essas coisas tem que ser mais rápido, mais ágil. Entendeu? A gente está muito conversa longa, anda. A gente tem que ter cuidado com essas situações.

No dia 19 de setembro, o colaborador relatou a entrega de R$ 50 mil ao prefeito João Bosco em um hotel de Cajazeiras. O repasse foi filmado, como pode-se ver a seguir:

Bosco: você tem alguma coisa pra gente enrolar ele aí?

George: Tem o que?

Bosco: Alguma coisa pra enrolar ele. Tá dentro aí? George: tá

Bosco: Chamar ele aqui pra pegar.

Bosco: Quanto é que tem aqui?

George: 50

Bosco: Eu sabia de uns 100, que era da semana passada.

George: eu botei… é porque eu deixei 50 lá, aí ela pegou e disse que ia ver com você para deixar com Wilson. Aí, era 100 pra você. Eu deixei 50 com ela.

Também consta no inquérito que no dia 23 de setembro, o prefeito João Bosco recebeu R$ 20 mil em uma pousada na orla de Manaíra, em João Pessoa.

Um dia depois, houve o repasse de R$ 40 mil, desta vez na sede do PTB, partido de Wilson Santiago, em João Pessoa. Neste dia, foi gravada uma conversa entre o colaborador, Evani e Bosco.

George: Trouxe 40 e amanhã trago o resto

Evani: pronto, você vai vir sozinho para resolver isso?

Bosco: vou deixar lá no motorista.

Evani: pronto

George: quem é o gordinho?

Bosco: o gordinho é (inaudível) George: aquele gordinho que tava com você?

Bosco: foi. Vou dizer que tó aqui pra poder ficar mais perto de você

George: arranje uma bolsa pra doutora aí, que hoje eu esqueci, não trouxe sacola não.

No dia 25 de setembro, houve a entrega de R$ 40 mil a Evani , como é possível ver através dos diálogos.

George: Bote a bolsa aí, bote. Fica mais fácil. Isso aqui é de Júnior, não sei o que tem dele dentro.

Evani: Não está no envelope?

George: Sim, para gente deixar combinado.. não está no envelope não. Evani: HUm. A tá.

George: Vamos combinar uma coisa. Amanhã não vai ser possível, só vai ser na sexta.

Evani: Rapaz, faça isso não.

George: É, isso aqui e com sacrifício.

Evani: Então, sei não. Isso aqui eu vou levar lá para uma pessoa dele.

George: Vou ver o que faço. Eu arrecado dinheiro hoje, porque o saldo de amanhã só vou conseguir sacar na sexta. E aí?

Evani: aí.. aí é peso. Evani: bote ai dentro desse saco.

George: dez… olhe

Evani: não, não vou nem contar.

George: Você tem que contar. Porque depois está faltando. Não precisa você contar. Estou só mostrando.

Evani: pronto.

George: dez, vinte, trinta… Aqui está de cinco e cinco, certo?

Ainda em setembro, só que no dia 27, houve o repassse de R$ 60 mil para serem entregues ao deputado Wilson Santiago.

George: Sessente, quarenta, vinte, sessenta. Duzentos e cinquenta reais você não vai fazer questão?

Evani: faço, não é meu. Vai, me dá logo. Vou ser se Wilson me dá esses 150 pra eu botar gasolina para ir para pipa. (risos).

George: não acredito que… tão amarrado assim não?

Evani: ham?

George: modelo, não acredito que ele é tão amarrado assim não.

Evani: ham? Wilson. Vou dizer peça para o rapazinho lá devolver isso aqui, pelo menos eu, eu disse a Bosco: Bosco, vocês dois têm que, pelo menos, eu fico só fazendo para vocês, vocês só querem ganhar.

George: 250 reais. você vai fazer questão de 250 reais?

Evani: vai menino, eu vou pedir a Ana pra mim. Deixa de ser besta, vai, deixa de ser chato.

Em 03 de outubro, em um novo encontro na sede do PTB, foi registrada a entrega de R$ 25 mil e no dia 23 um outro repasse do mesmo valor a João Bosco, que foi colocado na cueca, como pode-se ver na imagem a seguir:


Também foram entregues R$ 50 mil ao secretário de Wilson, Israel Nunes, no aeroporto de Brasília. Veja os registros:

No dia 08 de novembro, Evani Ramalho recebeu, de acordo com o delator, R$ 50 mil para o prefeito João Bosco. Agentes da Polícia Federal acompanharam de forma velada o encontro. Veja:


Um novo repasse foi feito no Pão de Açucar, em João Pessoa. Veja:


Evani também recebeu uma sacola com R$ 50 mil, que foi colocada em seu carro, e seria entregue a Wilson Santiago.

Operação Pés de Barro

A Polícia Federal deflagrou, na manhã deste sábado (21), a Operação Pés de Barro que resultou na prisão do prefeito de Uiraúna João Bosco Nonato Fernandes (PSDB), além de busca, apreensão e afastamento do cargo do deputado federal Wilson Santiago (PTB). A ação foi determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa dedicada à realização de pagamentos ilícitos e superfaturamentos de obras no Sertão da Paraíba.

As ordens de busca e apreensão, prisão preventiva e suspensão do exercício de funções públicas foram expedidas pelo ministro Celso de Mello, STF, tendo em vista a previsão constitucional de foro por prerrogativa de função de um dos investigados, o qual ocupa o cargo de deputado federal.

Em nota, divulgada no final da manhã deste sábado, o deputado revelou ter sido surpreendido pela operação e acusou o delator George Ramalhode utilizar o princípio jurídico da delação para se favorecer e evitar condenação na Operação Feudo.

Confira a nota na íntegra:

Na manhã de hoje fomos surpreendidos por Operação da Polícia Federal. A operação em questão foi baseada na delação do empresário George Ramalho, o qual foi preso em abril de 2019 na Operação Feudo. Segundo as informações preliminares, o delator iniciou no segundo semestre de 2019 a construção de um roteiro, que servisse como base para acordo que lhe favorecesse na operação que foi alvo de prisão. O delator busca a todo momento, construir relações que possam nos implicar de forma pessoal e criminalizar o trabalho parlamentar.

Fica evidente, que o delator usa um princípio jurídico que veio para ser um instrumento de promoção de justiça, como artifício para favorecimento pessoal e evitar condenação na Operação Feudo. Temos certeza que esse tipo ação criminosa será coibida. Não podemos aceitar que a ação política fique refém dessas práticas. Dessa forma, tomaremos as medidas cabíveis para que a verdade venha à tona, com o esclarecimento das questões objeto da investigação e nossos direitos sejam restabelecidos. Estamos a disposição da Justiça para colaborar em todo o processo.

Wilson Santiago
Deputado Federal

Wallison Bezerra – MaisPB 

Fonte: Mais PB