Música

24/12/2016 - 05:58:19

Música é 'trabalho solitário', desabafa Nando Reis

Show intimista foi pensado já que ele queria 'mostrar como a música é feita'. Repertório é viagem pela carreira e vida do ex-Titãs.

Autor: Redação do Portal

Esqueça o Nando Reis da época dos Titãs. Seja na época mais roqueira da banda, seja num segundo momento mais pop. Esqueça também o Nando Reis que iniciou sua carreira solo a partir de 2001, quando começou a ser acompanhado pela banda Os Infernais. O show do cantor paulista realizado no final de semana em João Pessoa é diferente de tudo isto. E o melhor: o resultado impressiona.

Nando Reis (Foto: Rafael Passos/Divulgação)

Muito mais do que um simples show, o que se vê na turnê “Voz e Violão” é um encontro intimista com o músico, quase um bate-papo entre amigos, em que ele alterna lembranças de momentos marcantes do passado e boas músicas que lhe marcaram a vida.

Aliás, o único detalhe que “denunciava” o show era o local: o novíssimo Teatro Pedra do Reino, no Centro de Convenções de João Pessoa, com quase todos os seus três mil lugares lotados. Mas ainda assim, sem as grandes estruturas do que se poderia esperar de um show de Nando Reis. 

Show intimista

No palco, uma cadeira, três violões e guitarras (que eram alternados a depender da próxima música a ser tocada) e uma mesa baixa em que ele colocou um monte de papeis (letras de música, partitura, poemas, etc). Tudo muito despojado e prático. Nando Reis sozinho. Frente a frente com o público. E numa simpatia incrível. Estava um pouco rouco. Pediu desculpas por isto. Mas não se ateve a cantar – bem – e conversar por mais de duas horas.

A ideia, segundo o próprio cantor, é de fato esta. Aproximá-lo das pessoas dele e da música da forma mais pura possível. "Queria mostrar a vocês como a música é feita. Trabalho solitário. Exaustivo. Só o compositor, sua voz e o violão. Sem os arranjos e os instrumentos das bandas. Foi por isto que pensei neste show. E como a aceitação foi boa, resolvi sair em turnê – pontuou em um dos muitos papos com o público", disse.

O show é uma viagem pela sua carreira. Mas também pela sua própria vida. Entre uma música e outra, bons causos. Em alguns momentos, o papo se tornava até mais atrativo do que as próprias músicas. E isto não significa falar mal do repertório escolhido, que reunia músicas próprias e de uma série de outros compositores brasileiros.

Nando Reis (Foto: Rafael Passos/Divulgação)

Gilberto Gil, Cássia Eller, Samuel Rosa...

Nestas conversas, falou muito sobre si. Sobre como Gilberto Gil foi seu mentor e principal referência musical no início da carreira, sobre sua forte amizade com Cássia Eller, sobre sua parceria com Samuel Rosa, o vocalista do Skank. Falou também sobre como costuma trabalhar na hora de compor suas músicas e sobre alguns de seus hábitos. Levou, enfim, um pouco de sua intimidade para o público.

Dos pontos altos do show, a música “Muito Estranho”, de Dalto Roberto, e a história que se seguiu de como ele, levemente bêbado, no auge de sua juventude, voltando para casa num fusca cinza de seu pai após uma festa, foi apresentado já com o dia amanhecendo à canção. O público gargalhou. Ele riu também.

Seguiu o show. Para pouco depois cantar “Coração Vago”. Uma música triste. Dolorosa, até. Que o levou a filosofar sobre os motivos que o levaram até aquela canção. Falava reflexivamente sobre a música até perceber que estava tentando explicar a letra. E soltou um riso crítico sobre si mesmo que fez todos rirem mais uma vez. "Eu divagando e querendo explicar a vocês o que a música quer dizer. Como pode?", indagou bem humorado.

Entre as músicas, poemas. Declamou vários, sempre com temática complementar às das composições. De vários poetas diferentes. Interagiu bastante com o público. Ria, conversava, refletia sobre a vida, exaltava a cidade de João Pessoa e sua população. Quando a voz falhou por causa da gripe, em dois ou três momentos, pediu desculpas. Tomou um gole de água. Voltou a cantar. E chamou o público a cantar junto. Sem muitas formalidades. Um aparente problema que ajudava a quebrar o clima de show e transformava o evento em encontro de amigos, todos em volta do “dono do violão”, que costuma centralizar o papo e as atenções de todos os convidados. Foi muito prazeroso conhecer este novo Nando Reis.

Fonte: Redação do Portal Vale do Piancó Notícias com G1