Paraiba

14/04/2018 - 17:32:49

Entenda operação que investiga resultados manipulados no futebol da PB

Operação Cartola foi deflagrada no dia 9 de abril, pela Polícia Civil e Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).

Autor: Redação do Portal

Na segunda-feira (9) uma operação foi deflagrada pela Polícia Civil e Ministério Público da Paraíba para investigar a manipulação de resultados no futebol profissional na Paraíba, um dia após a conquista do título de campeão paraibano 2018 pelo Botafogo-PB. O cumprimento de mandados de busca e apreensão mexeu com as estruturas de muitos clubes de futebol. O G1 consolidou as informações mais importantes divulgadas sobre a Operação Cartola.

A Polícia Civil e o Ministério Público cumpriram na madrugada da segunda-feira (9), 39 mandados de busca e apreensão nas cidades de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande e Cajazeiras. (Foto: Water Paparazzo/G1)

Operação investiga manipulação de resultados no futebol
As investigações são da Polícia Civil de João Pessoa e do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, e têm por objetivo desarticular uma organização criminosa suspeita de falsidade ideológica e manipulação de resultados no futebol profissional da Paraíba.

As equipes de monitoramento e vigilância da Polícia Civil analisaram centenas de documentos e realizaram diligências durante seis meses de investigações.

Quem está sendo investigado?
Segundo a Polícia Civil, 80 pessoas são investigadas no esquema. Entre eles:

Federação Paraibana de Futebol (FPF)
Comissão Estadual de Arbitragem da Paraíba (CEAF)
Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba (TJD/PB)
Dirigente de clubes de futebol da Paraíba (Botafogo-PB, Campinense, Treze, Atlético de Cajazeiras e CSP são alguns dos Clubes investigados)
Crimes investigados pela Operação Cartola
Organização criminosa
Crimes do Estatuto do Torcedor
Falsidade ideológica 

Dirigentes, árbitros e FPF alvos de mandados de busca e apreensão
A Polícia Civil e o Ministério Público cumpriram 39 mandados de busca e apreensão nas cidades de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande e Cajazeiras na madrugada do dia 9 de abril. O cumprimento de mandados contou com a atuação de 230 policiais civis e foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e quantias em dinheiro. Veja lista abaixo:

AMADEU RODRIGUES - Presidente da FPF
ROSILENE DE ARAUJO GOMES - Ex-presidente da FPF
MARCOS SOUTO MAIOR (MARQUITO) - Advogado da FPF
JOSÉ RENATO (ZÉ RENATO) - Presidente da Comissão de Arbitragem
SEVERINO LEMOS (BINA) - Diretor de arbitragem da FPF
LIONALDO SANTOS - Presidente do Tribunal de Justiça Desportiva
ZEZINHO DO BOTAFOGO - Presidente do Botafogo-PB
GUILHERME CARVALHO (NOVINHO) - Vice-presidente do Botafogo-PB
BRENO MORAIS - Vice-presidente do Botafogo-PB
ALEXANDRE CAVALCANTI - Advogado e vice-presidente jurídico do Botafogo-PB
FRANCISCO SALES - Diretor do Botafogo
WILLIAM SIMÕES - Presidente do Campinense Clube
JUAREZ LOURENÇO - Presidente do Treze Futebol Clube
FABIO AZEVEDO - Dirigente do Treze
ALANKARDEC CAVALCANTI - Dirigente do Treze
JOSIVALDO GOMES - Presidente do CSP
RENAN ROBERTO - Árbitro de futebol da FPF
ADEILSON CARMO - Árbitro de futebol da FPF
JOSE MARIA DE LUCENA NETTO (NETO) - Árbitro de futebol da FPF
ANTONIO CARLOS DA ROCHA (MINEIRO) - Árbitro de futebol da FPF
JOÃO BOSCO SÁTIRO DA NOBREGA - Árbitro de futebol da FPF
ANTONIO UMBELINO - Árbitro de futebol da FPF
DIEGO ROBERTO - Árbitro de futebol da FPF
EDER CAXIAS - Árbitro de futebol da FPF
TARCISIO JOSE DE SOUZA (GALEGUINHO) - Árbitro de futebol da FPF
LUIS FILIPE - Árbitro de futebol da FPF
ÁDGUERRO XAVIER - Árbitro de futebol da FPF
JOSE ARAUJO DA PENHA (ARAUJO) - Funcionário da FPF
LUCAS ANDRADE - Funcionário da FPF
SONIA ANDRADE - Funcionária da FPF
BENEDITO DA PENHA MEDEIROS JUNIOR (BENINHA) - Filho de diretor do Botafogo-PB

Chefes do esquema criminoso de manipulação de resultados
De acordo com o Grupo de Ação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foi possível identificar dois núcleos na organização criminosa:

Primeiro núcleo: considerado o líder do esquema, formado por membros da FPF, CEAF e dirigentes de clubes de futebol profissional, que “conta com uma sofisticada rede de proteção, elevado grau de articulação institucional”.

Segundo núcleo: formado por membros executores ligados à CEAF (arbitragem), funcionários da FPF e de clubes de futebol, que atuam a mando do primeiro núcleo, de acordo com o Ministério Público.

Denúncia originou investigação contra corrupção
De acordo com o delegado de Defraudações e Falsificações da Polícia Civil de João Pessoa, Lucas Sá, a denúncia foi feita por pessoas ligadas ao futebol paraibano, mas não pode revelar os nomes.

Em 2017, o jogador de futebol Walter Januário de Paula Júnior, que jogou no Botafogo-PB em 2015, detalhou em um áudio o que seria um esquema de compra de árbitros que seria orquestrado por dirigentes do Belo. O arquivo de áudio se tornou público e rapidamente se espalhou.

À época, dirigentes começaram a se mobilizar, seja para se defender (no caso do Botafogo-PB), seja para atacar o rival (no caso do Auto Esporte, citado no áudio como um dos clubes prejudicados). De acordo com Lucas Sá, a denúncia de Walter não está diretamente ligada ao início da operação deflagrada nesta semana, mas o teor dela, sim, pode ter relação com o que está sendo investigado.

Polícia Civil e Gaeco investigam desvio de dinheiro e fraude no futebol paraibano

Campeonatos que podem ter sido manipulados
Os campeonatos de futebol da Paraíba de 2011 a 2018 estão sob suspeita de fraude, de acordo com o delegado Lucas Sá. Os três maiores clubes da Paraíba foram campeões nestes anos. O Treze venceu em 2011, o Campinense ganhou em 2012, 2015 e 2016 e o Botafogo-PB venceu em 2013, 2014, 2017 e 2018.

Por que a operação foi deflagrada apenas depois da final do campeonato paraibano 2018?
Segundo Lucas Sá, se um dos objetivos da operação é investigar a manipulação de resultados dos campeonatos de futebol da Paraíba, era necessário esperar a conclusão do Campeonato Paraibano 2018 para que a investigação pudesse ter andamento, já que esta edição também estava na mira da Polícia Civil.

Quebra de sigilos
A Polícia Civil pediu quebras de sigilos bancário, telefônico e fiscal de vários citados na operação que investiga manipulação de resultados do futebol paraibano, mas não divulgou os nomes. Segundo o delegado, há uma determinação judicial, para que o processo de investigação não seja prejudicado.

O que dizem os envolvidos
Federação Paraibana de Futebol (FPF): O presidente da FPF, Amadeu Rodrigues, disse que está à disposição da polícia. A Federação Paraibana de Futebol também emitiu uma nota oficial, afirmando que já havia disponibilizado, em março, a abertura dos sigilos bancários, telefônicos e fiscais, não só da FPF, como também do presidente. A instituição ainda ressaltou que, a partir da nova administração, os árbitros não são escolhidos, mas sorteados publicamente, antes das rodadas, com transmissão ao vivo e abertura para a imprensa e os desportistas presenciarem no local.

Campinense Clube: O presidente do Campinense, William Simões, disse que as portas do clube estão abertas para colaborar com investigações.
Treze Futebol Clube: A assessoria do Treze informou que a diretoria ainda não se posicionou oficialmente sobre o assunto.
Centro Sportivo Paraibano (CSP): O presidente do conselho deliberativo do CSP, Josivaldo Alves, disse que a investigação é positiva e que o CSP não tem nada a temer.

Botafogo Futebol Clube: O Botafogo-PB afirmou que está à disposição das autoridades, colaborando com as investigações, e que acompanha com tranquilidade o desenrolar das investigações.

Atlético de Cajazeiras: o advogado Rafael de Albuquerque informou inicialmente que o clube não foi notificado de nenhuma ação referente ao processo da operação. Ainda de acordo com o advogado, o Clube está à disposição para colaborar com qualquer informação.

Como ajudar investigações sobre corrupção no futebol da Paraíba
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) disponibiliza um site para que sejam enviados documentos, fotos ou vídeos que possam ajudar nas investigações, além do número 197 para denúncias.

Fonte: Redação do Portal Vale do Piancó Notícias com G1