Conceição-PB

08/01/2018 - 06:36:41

Dor e muita comoção no último adeus ao centenário Manoel Mandu, em Conceição

Os filhos de forma individual ou coletiva tinham um sonho incomum: eles queriam celebrar a festa de 100 anos do pai, do velho amigo, do companheiro, que estendia a mão de forma também coletiva e dava ensinamento, semeando bondade, amor, paz. E no velório, um soluço e a vontade para que ele ficasse mais um instante.

Autor: Por Gilberto Angelo

Muita comoção e tristeza marcaram o sepultamento de Manoel Ferreira Leite, mais conhecido como “Manoel Mandú”, no final da tarde deste domingo (7), no cemitério público da cidade de Conceição. Ele faleceu na noite do último sábado (6), aos 98 anos de idade, no hospital e Maternidade Caçula Leite, onde estava internado aos cuidados médicos e acompanhado de familiares.

O velório, que aconteceu na residência da família, localizada na rua Prefeito João Fausto, foi marcado por muita tristeza. Por volta as 16h foi celebrada uma missa. Em seguida, o corpo foi levado para o cemitério público de Conceição, onde familiares e amigos deram ‘o último adeus’ a um homem, que foi exemplo de pai, de avô, de líder de família.

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Ao longo dos seus 98 anos de vida, Manoel Mandu construiu muitos amigos, ofereceu ‘muitas rosas’, (...) semeou exemplos de um homem trabalhador e honesto. E como dizia o poeta: “Fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser carinhosas”. O seu gesto de homem honesto foi o maior legado que ele deixou para seus filhos e netos, que demonstraram gratidão durante todo o velório e sepultamento. Na face de cada um deles um semblante de tristeza e de saudades. Mas, como dizia o poeta: “Sentir saudades não é ruim, ruim mesmo é não ter saudades pra sentir”. E eles sentirão muitas saudades.

Manoel Mandu foi casado duas vezes, ao longo da sua vida. Seu primeiro casamento foi com a saudosa Odete Ferreira de Moura, com quem teve 7 filhos. Viúvo, ele se casou com Maria Luíza Leite, com quem teve 12 filhos e adotou outro.

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Ao todo, com muito trabalho, muito empenho e muita luta, Manoel Mandu criou seus 20 filhos, que foram se multiplicando em netos e bisnetos. São 56 netos e 6 bisnetos, do quase centenário, que simbolizou bem a 'bravura do nordestino', que luta todos os dias para sustentar a sua família, referência maior da sua existência. Enquanto vivo, ele foi a referência maior da sua família, de quem recebeu todo o carinho até os últimos momentos da sua existência.

Apesar das grandes dificuldades, enfrentadas pelas constantes secas no sertão nordestino, Manoel Mandu trabalhou incansavelmente, enfrentando muitas vezes o ‘sol escaldante’ para conseguir criar seus filhos, de quem recebeu todo o carinho e dedicação até seu último suspiro. Tudo isso porque um desbravador, um homem que dedicou a sua inteirinha à sua família, tornou-se o referencial maior dela e há de ser ‘o seu espelho’ por muitas gerações.

Os filhos, de forma individual ou coletiva, tinham um sonho incomum: eles queriam celebrar a festa de 100 anos do pai, do velho amigo, do companheiro, que estendia a mão de forma também coletiva e dava ensinamentos, semeando bondade, amor, paz. E no velório, um soluço e a vontade para que ele ficasse mais um instante.


 

Fonte: Por Gilberto Angelo